O estado catarinense sofreu em anos recentes com grandes tornados, nas região de Xanxerê, Ponta Serrada, Laguna e Tubarão. Além destas cidades a própria região da Grande Florianópolis foi atingida no final de 2016. Mas os números desses fenômenos na região são maiores do que imaginamos.

Dados coletados pelo Centro de Pesquisas Sobre Desastres da Universidade Federal de Santa Catarina, o CEPED, revelam que, desde 1975, a região já foi atingida por mais de 80 tornados, e por isso o estado é um dos mais suscetíveis em todo o Brasil à formação de grandes tempestades, que resultam na aparição de ciclones e afins. Quer entender o por quê?

O Sistema de Baixa Pressão do Chaco e os tornados em Santa Catarina

A região que vai do norte da Argentina até o sul do Paraguai, passando por Santa Catarina, está sob o chamado Sistema de Baixa Pressão do Chaco, apontado como o maior causador dos tornados no país. Além disso, de acordo um estudo do Laboratório Nacional de Grandes Tempestades de Oklahoma, nos Estados Unidos, a área é a segunda do mundo mais propícia ao desenvolvimento de grandes tempestades.

Ela ganhou essa classificação por possuir o que os meteorologistas chamam de “berçário de nuvens”, que nada mais é do que uma faixa na qual o clima e a umidade são propícias para a formação desse aglomerado de partículas de água, ou até mesmo cristais de gelo, que são visíveis e ficam suspensas no ar.

Depois de formadas, essas nuvens acabam migrando para Santa Catarina. A região tem um ar mais quente e leve, características dos locais mais interioranos do continente, e não sofre nenhuma influência do Oceano Atlântico. Com isso, a massa de ar quente e úmida que vem da Amazônia consegue se dirigir até o local sem o menor problema ou interferência. Depois disso, o ar acaba descendo a cordilheira e se tornando ainda mais leve e aquecido, o que forma o sistema de baixa pressão.

Sua proximidade com o Trópico de Capricórnio faz com que o processo de formação de tempestades se intensifique e a área tenha maiores chances de sofrer com os fenômenos naturais.

Como os tornados se formam em Santa Catarina?

Por conta dessa proximidade com o trópico, a formação de nuvens conhecidas como cúmulos-nimbos são maiores. Esse tipo de aglomerado de gotículas de água é muito frio, e, ao encontrar um local onde existe a coluna atmosférica de baixa pressão, acaba resultando em tornados.

Quando esse encontro acontece, o ar começa a se elevar de forma mais rápida, tentando fazer com que a coluna seja toda preenchida. A massa quente, ao se chocar com o topo frio, transforma esse encontro em uma formação mais nítida de uma coluna de ar, ou o tornado, como chamamos.

No total, alguns dos últimos tornados em Santa Catarina não duraram mais de 10 minutos, mas os ventos de 250 quilômetros por hora conseguiram afetar mais de 10 mil habitantes nos eventos de 2015 e 2016, atingindo milhares de moradias.

Para tentar diminuir as chances de tantas pessoas acabarem atingidas, está nos planos da Secretaria de Estado da Defesa Civil a instalação de um radar no Sul e outro no Oeste de Santa Catarina, fazendo com que os moradores possam ser avisados do fenômeno com algum tempo de antecedência.

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