Muitos estudantes vão dormir com a cabeça mergulhada nos livros e mal conseguem relaxar. Essa cena se repete em milhares de lares pelo mundo, mas não deveria. Isso porque em vez de trazer mais conhecimento, perder o sono para estudar um pouco mais, na verdade, só piora o desempenho.

Uma Pesquisa da Universidade da Califórnia (UCLA), publicada na revista Child Development, analisou 535 estudantes do ensino médio e concluiu que, os alunos que se privaram de sono para estudar sofreram reduções significativas na capacidade de compreensão no dia seguinte e precisavam se esforçar mais do que o normal para acompanhar o conteúdo. E isso criava uma bola de neve.

Já no livro Dreamland, o jornalista David K. Randall mostra que estudos já começaram a dar números para o tamanho do déficit após uma noite de sono mal dormida. Em um experimento conduzido, as pessoas que dormiram uma quantidade adequada de horas conseguiram fazer as tarefas exigidas de forma mais rápida: 70% mais velozes em caso de lições simples e 17% nas mais complexas.

O grande problema, de acordo com os estudiosos, é que as pessoas que se privam de sono sentem efeitos colaterais semelhantes aos de quem fica bêbado: como problemas de coordenação motora, menor capacidade de raciocínio e atenção mais dispersa. O que não é muito eficiente no momento de aprendizado, concordam?

O sono, inclusive, é um aliado importante na hora de assimilar conteúdos novos. Segundo pesquisas da NYU Langone Medical Center, publicadas na revista Science, dormir corretamente estimula o crescimento de espinhas dendríticas, que nada mais são do que as conexões entre as células cerebrais. Isso facilita (e muito) a transmissão de informações por meio de sinapses e faz com que o conteúdo seja aprendido mais rápido.

Ou seja, estudar bastante e dormir por sete horas depois é muito mais eficaz do que estudar mais tempo e dormir menos.

Como fazer para poder dormir e estudar?

Organização. Essa é a palavra-chave para não se privar de dormir e estudar mesmo em momentos de mais pressão e demanda, como, por exemplo, próximo às datas do vestibular ou de concursos importantes.

A ideia é que com uma organização mais eficiente (com tabelas e prioridades de tarefas) é possível ser mais produtivo ao longo do dia e conseguir garantir o tempo recomendado de sono por dia (entre sete e nove horas), de prática de atividades físicas e momentos de relaxamento, que também contam para a qualidade do sono.