Logo nos primeiros dias de faculdade é possível perceber que muitos dos seus colegas de classe têm características semelhantes às suas e prontamente aquela sensação de pertencimento a um grupo começa a crescer. Essa intuição há muito sentida por calouros em universidades de todo o mundo agora é amparada pela ciência.

Uma pesquisa da psicóloga dinamarquesa Anna Vedel, da Universidade de Aarhus, mostrou o que a escolha do seu curso universitário diz sobre sua personalidade. E não é pouco. O estudo chamado de Big Five personality group differences across academic majors: A systematic review revisou a entrevista de mais de 13 mil estudantes universitários em outras 12 pesquisas realizadas entre 1992 e 2015 e expôs semelhanças consideráveis entre as pessoas que escolhem cada área de graduação.

Todo o estudo é baseado no Big Five ou Grandes Cinco, em tradução livre, um conjunto de cinco características que conseguem definir em maior ou menor escala a personalidade de cada indivíduo: abertura ao novo, afabilidade, consciência, extroversão e neuroticismo. Segundo a pesquisadora, o estudo revelou que aquela forma quase caricata com a qual descrevemos pessoas de determinadas áreas tem, sim, fundamento científico.

Meu artigo mostra que pesquisadores de diferentes países encontram personalidades consistentemente diferentes (em estudantes de cada área de ensino). Por exemplo, alunos de psicologia, artes e humanas têm grandes traços de abertura ao novo e neuroticismo; enquanto graduandos de Economia, Direito, Medicina e Ciências Políticas são bastante extrovertidos, diz a pesquisadora em artigo para a revista Scientific America.

O que seu curso universitário diz sobre sua personalidade

Abertura ao novo: a criatividade, a imaginação, o apreço à diversidade cultural e a vontade de viver novas experiências. Essa característica é mais fortemente constatada em graduando de Artes, Humanas, Psicologia e Ciências Políticas. Já os estudantes de Direito, Economia, Engenharia e outras ciências exatas tiveram as notas significativamente mais baixas neste quesito.

Afabilidade: é o traço que fala da gentileza, modéstia, confiança e cooperação de cada indivíduo. Por ironia, os graduandos de Direito não receberam boas pontuações neste quesito, seguidos pelos estudiosos de Administração e Economia. Já os de Medicina, Artes, Humanas, Psicologia e outras ciências tiveram essas características bastante acentuadas.

Consciência: trata da organização, da capacidade de detalhamento, do controle e da orientação para a realização de objetivos. De acordo com a pesquisa da dinamarquesa, esse aspecto foi, obviamente, mais baixo em estudantes de Artes e Humanas do que em outras especialidades.

Extroversão: é a característica ligada à sociabilidade, ao entusiasmo e à assertividade das pessoas. Segundo o estudo, os alunos de Economia, Direito, Medicina e ciências políticas têm esse traço maior deste atributo que os de Artes, Ciências e Humanas.

Neuroticismo: é a tendência pela ansiedade e pelas mudanças de humor. Os estudantes que marcaram níveis mais altos desta característica estavam concentrados nas áreas de Artes, Humanas e Psicologia. Já as notas mais baixas eram a dos matriculados em Economia e Administração.

A pesquisadora alerta, no entanto, que os resultados da sua pesquisa não devem ser utilizados como única forma para a seleção de um curso universitário. Mas como uma base que pode ajudar a direcionar escolhas, assim como melhorar as formas de aprendizado ensinadas nos cursos de graduação das universidades.

– Não seria sensato basear seu futuro acadêmico apenas em traços de personalidade. As suas habilidades e interesses deveriam obviamente estar inseridos nas escolhas educacionais assim como diversos outros fatores – completa.